O BEM AMADO
O BEM AMADO:
Autor: Dias Gomes
Gênero: Teatro
Este divertido
texto teatral de Dias Gomes, escrito em 1962, apesar de estar completando 57
anos, ainda nos fornece um conteúdo atual sobre política. Políticos corruptos,
promessas mal cumpridas e briga com a imprensa são alguns dos assuntos
abordados na grande obra brasileira.
A história se
passa na cidadezinha de Sucupira, onde a falta de cemitério leva os habitantes
da cidade a transportarem o corpo de um defunto para outras cidades. Em meio a
essa situação entra Odorico Paraguaçu, um homem que interessado em governar a
cidade faz a promessa de construir um cemitério em Sucupira se chegar ao poder.
As eleições vem e Odorico ganha com a campanha: ‘ VOTE NUM HOMEM SÉRIO E GANHE
SEU CEMITÉRIO’.
Bem ele cumpre sua promessa de construir um
cemitério, mas para isso retira verbas de setores importantes da infraestrutura
(verba do ‘conserto de canos’, do’ aumento da força’ da luz). Porém tem um
problema! Ninguém mais morre na cidade e o cemitério não consegue ser
inaugurado! E aí é um problema atrás do outro: o jornalista da oposição falando
mal dele, um trabalhador do cemitério ganhando sem ter que trabalhar, o caso
entre Odorico e Dulcinéa, a mulher do secretário do prefeito (Dirceu), sendo
descoberto pelo próprio Dirceu.
Odorico precisa
de boas soluções! Então consegue que um doente vá para Sucupira (quem sabe ele
morre lá), contrata para delegado um temido assassino do nordeste (vai que ele
acaba matando alguém) e, por fim, fala para Dirceu que sua mulher está traindo
ele com o dono do jornal da oposição, Neco Pedreira, e lhe dá uma arma para
Dirceu tomar uma atitude (vai que ele assassina o líder da oposição). O que
acontece na verdade é que Dirceu vai até o jornal para matar Neco Pedreira e
atira de olhos fechados, mas Dulcinéa está lá e acaba sendo atingida. Para
Odorico aquilo foi uma vitória, afinal iria inaugurar o cemitério, mas para seu
azar o tio de Dulcinéa vai para a cidade afirmando que ela devia ser enterrada
no cemitério em que os pais dela foram enterrados. Assim, o cemitério continua
intocado e pior ainda: o doente que foi para a cidade melhora.
Enfim, ao
final da história o povo descobre que Odorico armou tudo para Dirceu matar Neco
Pedreira e assim acaba sendo morto pelo delegado que contratou e inaugurando o
cemitério.
Com essa
peça teatral, Dias Gomes faz uma metáfora: Sucupira representa o Brasil,
Odorico representa os políticos brasileiros. Podemos ver as grandes semelhanças
com o passado brasileiro e o presente também! Desvio negligente de verbas é algo
que todos estamos acostumados (o que é errado). Além disso, cargos públicos que
até parecem falsos, pois quem os ocupa não precisa fazer nada, mas ganha
dinheiro (dinheiro que poderia ser investido em educação, saúde, saneamento
básico, etc).Também algumas pessoas desqualificadas são colocadas em cargos
públicos altos por ser de interesse do governador, mas cargos assim (aliás,
cargos de todos os tipos) devem ser ocupadas por pessoas qualificadas que não
atendam apenas o interesse de uma pessoa e sim que atenda o interesse coletivo.
Assim, em
poucas páginas, Dias Gomes denuncia problemas graves da política que acabam com
o nosso país (mas pode servir para outros países), aumenta o nosso senso crítico
sobre a política atual e nos faz rir muito das ironias da vida. Em minha
opinião qualquer um deveria ler este livro, pois não é apenas um texto teatro
divertido, é a política do nosso país explicada.
Obrigada!Espero que gostem e comentem o que
acharam! Bjss S2
Me segue no instagram: goodbooks2002

Adorei!
ResponderExcluirAmei! Muito atual!
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